sexta-feira, 19 de maio de 2017

O parto

Na quinta-feira, dia 04/05, descobri finalmente o que seriam as tais contrações de trabalho de parto. Diferentemente das contrações de treinamento, em que eu só sentia um endurecimento na parte superior da barriga, nas contrações do trabalho de parto, eu podia ser uma leve cólica (semelhante à cólica menstual) e uma dor na lombar. Ao invés de me incomodar, as contrações me trouxeram o  grande alívio... Achei que não iria reconhecer as contrações efetivas na hora que elas se iniciassem. Além disso, eu soube naquela hora que o nascimento de Miguel estava bem próximo. No entanto, as contrações estavam bastante irregulares. Continuava a perder o tampão mucoso com um pouco de sangue. Dra Fabíola e as enfermeiras da Madria me aconselharam a permanecer atenta aos sinais.
Na sexta-feira, dia 05/05, as contrações passaram a ocorrer de forma regular, de 15 em 15 minutos. As enfermeiras Marcilene e Carolina foram à minha casa, ascultaram o coraçãozinho de Miguel, acompanharam comigo a frequência das contrações e me confirmaram que a vinda do Miguel estava próxima. Não fiquei muito ansiosa. Pelo contrário, me alonguei bastante, respirei, editei um vídeo de um voo de asadelta que eu tinha feito  no ano passado e até saí pra comer uma pizza com duas amigas do Ensino Médio, Clarisse e Vanieri.
De noite, percebi que o intervalo entre as contrações começou a ficar menor: 12 em 12 minutos, 10 em 10 minutos. Até que, por volta das 4h da manhã, senti um líquido vazar através da calcinha: a bolsa havia estourado. O líquido estava um pouco esverdeado, provavelmente porque estava misturado a um pouco de mecônio, que é o cocozinho inicial do bebê. Liguei pra mamãe, que prontamente veio para minha casa, para as enfermeiras da Madria e para Dra Fabíola. A princípio, não estava conseguindo falar com ela, até que reparei que estava ligando pro consultório... rs
A essa altura, as contrações passaram a ocorrer em intervalos de 3 a 4 minutos. Fomos imediatamente para o hospital, chegando lá por volta das 5h da manhã, horário em que a entrada da maternidade está fechada e tem que entrar pela entrada do hospital. As enfermeiras Carolina e Jane já estavam por lá me aguardando. No entanto, devido aos trâmites burocráticos, só pude entrar, a princípio, com Lucas, que veria a papelada para a liberação do quarto. Enquanto isso, fui levada para uma sala onde uma médica faria uma primeira avaliação. Duas gestantes tinham chegado antes de mim, de forma que fiquei cerca de 30 minutos aguardando o atendimento em uma sala quente, em decúbito dorsal e sentindo dores bem fortes, aliadas a uma sensação parecida com uma vontade de fazer cocô. A médica verificou que eu já estava com 7 a 8 cm de dilatação. Fiquei, então, na sala de pré parto, ainda sozinha, com muitas dores, aguardando a liberação do quarto. Finalmente, fui transferida para o quarto, onde me aguardavam mamãe, Lucas, Carolina, Jane e Dra Fabíola. As dores estavam quase insuportáveis e eu tinha que fazer muita força de expulsão, o que estava me deixando exausta. Lucas me fez massagens, Carolina e Jane me auxiliavam orientando posições diferenciadas, com a bola de pilates, a banqueta, o banho quente, mas eu já não suportava mais tanta dor e esforço. Comecei até a pedir para que Dra Fabíola fizesse a cesária. Eu gritava: "Me corta, doutora! Não aguento mais!". Graças a Deus, todos me apoiaram e não me deixaram desistir do parto natural. A hora da chegada de Miguel estava muito próxima!

Até que a pediatra, tia Nazareth, chegou ao quarto e pediu para que o parto fosse realizado na sala de parto propriamente dita, por causa da estrutura para atendimento do bebê após o parto. 
Na hora, eu pensei que iria pra um lugar horroroso, ficar em decúbito dorsal e com as pernas para cima. Mas era uma cadeira com uma boa inclinação e que não dificultou a fase final da expulsão. A cabeça do bebê começava a aparecer e, mesmo assim, eu ainda achava que não conseguiria. Dra Fabíola fez um pequeno corte no perínio para facilitar a passagem da cabecinha dele. Tinha muito medo desse corte (episiotomia), mas a médica aplicou uma anestesia local e, diante das dores parto, a episio não incomodou nadinha. Continuei fazendo muita força até que, finalmente, a cabecinha saiu e, após a cabecinha, o corpo todo saiu quase que escorregando. Um grande alívio! Tínhamos conseguido! Miguel havia nascido às 9h da manhã com 3,090 kg e 48 cm. 
Tia Nazareth trouxe ele ao meu colo, ele lambeu um pouquinho de colostro, o cordão umbilical foi cortado e ele foi receber os primeiros atendimentos. 
Meu tio Luís Alberto, também pediatra, acompanhou o nascimento com seu olhar de poeta e fez esse belíssimo relato, que compartilho abaixo:
"O menino viu pela primeira vez as cores do planeta nessa manhã de sábado. Como se não se importasse com o desconfortos das últimas contrações maternas, chegou exuberando saúde em forma de choro e uma vermelhidão que devem ter lhe garantido a nota máxima na avaliação da tia que o recebeu nos braços e cuidou de lhe aplicar os primeiros cuidados. O pai não se conteve ao vê-lo pela primeira vez. Chorou em silêncio quase em forma de oração, coçou a cabeça como fazem os símios e como se aquele gesto significasse a grande dúvida que respira no coração paterno a respeito dos mistérios do nascimento.Deixou a sala de partos murmurando alguma frase a respeito de ser pai.A avó acompanhou a mãe desde as primeiras contratações, traduzindo uma maternidade que se torna para sempre desde o momento que habita o coração que gera e cria. 
A poesia silenciosa observa o nascimento como necessidade da vida e da preservação do amor e da esperança numa humanidade que ainda se ama mesmo enquanto se fere e se castiga a si mesmo. 
Felicidades, Juliana, Lucas e Miguel. 
Deus esteja conosco hoje e sempre."
Após a saída de Miguel, a placenta também desceu sem maiores dificuldades. 
Apesar da episiotomia, houve também várias lacerações internas e o processo de sutura bastante tempo. Eu estava cansada e ansiosa para retornar pro quarto... 
Cheguei no quarto, colocaram soro glicosado com ocitocina e eu tentei descansar. 
No entanto, meu útero não regrediu como deveria. Por causa disso, continuei tendo contrações, só que menos dolorosas do que as do trabalho de parto. As contrações vinham praticamente de 5 em 5 minutos e eu não aguentava mais sentir dor. 
A minha médica não pôde retornar por causa de seus filhos pequenos, mas pediu para que as doutoras Neuzinha e Marina, que estavam de plantão, me acompanhassem. O hospital estava lotado de gestantes, partos naturais, cesárias... Por isso, somente às 14h elas puderam chegar, verificando que meu útero ainda estava muito alto, bem acima do umbigo. 
Dra Marina começou a pressionar a minha barriga e a retirar vários coágulos, que estavam dentro de mim, causando todas aquelas dores. Colocou também 4 supositórios que ajudariam na regressão do útero. Graças a Deus, tive um grande alívio depois disso... As cólicas finamente desapareceram...
Devido à grande quantidade de sangue perdida, minha pressão permaneceu um pouco baixa, quase desmaiei ao tentar levantar da cama. Adquiri uma anemia bem severa também, de forma que meu pai achou que eu precisaria até de uma transfusão de sangue, fazendo uma campanha pela internet. Não precisei, mas a campanha deve ter  sido útil para outras pessoas.
Aos poucos, fui ficando um pouco mais bem disposta e com bastante colostro para oferecer pro meu filhinho Miguel, que tentava lamber e chupar e dormir. O nan chegava no quarto de 3 em 3 horas, mas Miguel não precisou tomar porque estava se alimentando do colostro.
Agora é amamentar, repousar e me preparar pra ser uma boa mãe!

16 comentários:

  1. Juju, que força! Te admiro ainda mais! Amei todos os relatos!!!

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  2. Juju, que força! Te admiro ainda mais! Amei todos os relatos!!!

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  3. Ju, que exemplo de força e coragem! Muita saúde para vc, Lucas e o anjinho Miguel! Beijos!!

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  4. Ju seu relato foi muito bonito!!! Espero poder ler mais sobre vocês. Feliz por tudo ter ocorrido bem e por vocês estarem com o filhote de vocês.
    Que Deus os ilumine.
    Saudades

    Continue escrevendo sempre!!!

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    1. Obrigada, Wagner! Continuarei escrevendo sempre que puder...

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  5. Nao sei se é pq o relato é lindo demais ou sao meus hormonios da gravidez que me fizetam chorar de emoção. obrigada por compartilhar sua historia. Que Deus ilumine vcs hj e sempre. beijo

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  6. Lindo Ju...continue escrevendo. Que Deus abençoe sua família!Bjoo

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Lindo Ju... ❤️ Chorando aqui... lembrando do meu também... que bom você escrever aqui para a gente trocar ideia... não se sentir tão sozinha no mundo... amei! Continua escrevendo e vamos trocando experiências... ❤️

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  9. Vamos sim. É muito reconfortante ouvir outras experiências. Estou no início e tenho muito o que aprender!

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  10. Caramba, Ju! Que experiência. Fico muito feliz que você tenha conseguido o parto natural, todas que vivenciaram isso dizem que se descobrem muito mais fortes e plenas. Espero um dia poder vivenciar. Você teve algum tipo de indução para acelerar o trabalho de parto ou não? Beijos

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  11. Oi, Mary. Não precisou. Cheguei no hospital com 7 a 8 cm de dilatação. Como minha bolsa estourou, o processo adiantou muito. Tive que usar ocitocina sintética após o parto pra tentar involuir o útero!

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