terça-feira, 28 de março de 2023

Profissionais da rede estadual e municipal de educação protestam pelo piso nacional de educação

Por Juliana Rocha Tavares

Hoje, 28 de março, Prefeitura está promovendo na Praça São Salvador um evento de comemoração do aniversário da cidade.

Servidores da rede municipal de ensino aproveitaram a ocasião para reivindicar o pagamento do piso salarial a todos os profissionais de educação.

Ano passado, apenas uma categoria de professores (professor 2) recebeu o reajuste do piso nacional, que ainda não foi reajustado com os valores de 2023. 

As demais categorias da educação básica (professor 1, pedagogo, assistente sociais, psicólogo, auxiliar de secretaria, entre outros) permanecem sem receber o piso nacional da educação. Por lei, todos os profissionais de educação básica deveriam receber o piso salarial. 

Como o reajuste foi dado apenas a uma parcela da categoria, foi gerada uma desproporcionalidade de acordo com a tabela que consta no edital dos concursos públicos municipais. 

Professores da rede estadual resolveram se unir aos professores da rede municipal, uma vez que também não recebem o piso nacional da educação básica.

Além disso, os professores também cobram ao governador que cumpra uma promessa feita durante a campanha eleitoral de reajustar os salários dos servidores estaduais, que estão bastante defasados.

Segundo o professor da rede municipal, o arrocho salarial dos servidores públicos têm gerado impacto negativo na economia local:

"Funcionários públicos são o principal mercado consumidor de Campos. O arrocho salarial está fazendo o comércio local quebrar e prejudicando os prestadores de serviço, em geral. Os servidores públicos municipais estão amargando oito anos sem reajuste salarial, o que resulta numa perda de 59,24%." 

Não pagar o piso nacional da educação básica é um indicativo de como os gestores públicos ainda enxergam a educação, como gasto, como supérfluo.

Entendemos que a educação é fundamento, é alicerce e precisa ser priorizada! E priorizar a educação pública municipal e estadual implica em também valorizar o profissional de educação.

quarta-feira, 25 de maio de 2022

Manifestação unificada: servidores públicos e SOS Novo Jockey

Por Juju Rocha Tavares

Ontem, acompanhamos um pouco da manifestação em frente à Prefeitura que reuniu dois grupos: o movimento @sos.novo.jockey e os servidores públicos municipais, organizados pelo @siprosep.campos.


O SOS Novo Jockey começou a se organizar para reivindicar condições adequadas para o bairro, como saneamento básico, pavimentação adequada das ruas, posto de saúde. O grupo já organizou um abaixo-assinado, participou de reuniões com vereadores, audiência na Câmara, mas ainda não conseguiu se reunir com o Prefeito Wladmir Garotinho, que, em suas declarações, declarou que o Novo Jockey seria um bairro clandestino. É de se estranhar o fato da Prefeitura cobrar IPTU em um "bairro clandestino", onde, aliás, a mãe do prefeito decidiu construir as casas do programa "Morar Feliz".

Os servidores públicos municipais, por sua vez, estão hoje (25/05) no 9o dia de greve. A principal reivindicação da categoria é o reajuste salarial, após 7 anos de congelamento e uma inflação galopante, o que gerou uma grande perda no poder de compra pela categoria. 
Outras reivindicações são melhorias nas condições de trabalho, EPIs, o fim do assédio moral aos servidores e também a transparência na utilização do recurso dos royalties por parte da Prefeitura. 

No dia anterior, em outra manifestação organizada pelo Siprosep, em frente à Prefeitura e também ao apartamento de Wladmir Garotinho, esteve presente o movimento das marisqueiras, em mais uma demonstração de união da classe trabalhadora. 
Parabenizamos as organizações dos movimentos de luta! Acreditamos que só a união dos diferentes segmentos da classe trabalhadora será capaz de pressionar o Poder Público pela garantia dos direitos da população campista!

domingo, 8 de agosto de 2021

Dona Noêmia reivindica a devolução das terras do Açu em evento com o governador Cláudio Castro, a família Garotinho, a prefeita Carla Machado na UENF

Ontem, 06 de agosto, o governador Cláudio Castro, em companhia da família Garotinho cumpriu uma agenda em Campos dos Goytacazes num clima de campanha eleitoral para 2022. Às 17h, o evento que constava na agenda como “Fórum de Prefeitos” ocorreria dentro da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF).

Quando Dona Noêmia, grande agricultora e lutadora em defesa dos agricultores do Açu ficou sabendo da agenda na UENF, nos contactou para que fôssemos com ela, reivindicando que o governador devolvesse as terras do Açu, que foram roubadas dos agricultores durante a gestão de Carla Machado e Sérgio Cabral.


Dona Noêmia e um pequeno grupo de apoiadores em manifestação pela anulação do decreto de desapropriação das terras das famílias do Açu. Fotografia: Luiz Henrique

Chegamos ao Auditório, esperando o suposto “Fórum de Prefeitos” e nos deparamos com um verdadeiro palanque eleitoral para o governador Cláudio Castro, junto com toda a família Garotinho e muitos prefeitos do norte e noroeste fluminense, elogiando o “excelente trabalho” do governador, que faz campanha distribuindo promessas aos municípios, que deverão ser custeadas com o dinheiro da privatização da CEDAE. Apoiadores da família Garotinho clamavam para que Clarissa Garotinho, que recentemente gravou vídeo abraçando Bolsonaro, viesse como candidata a vice-governadora. No evento, rolou até dueto de “Noites Traiçoeiras” com Rosinha Garotinho e Cláudio Castro, que segundo alguns prefeitos bajuladores presentes naquele círculo de horrores ,seria um "enviado de Deus" para salvar o Estado do Rio de Janeiro. Garotinho, em sua fala, distorceu completamente a história da fundação da UENF, dizendo que ele teria sido o responsável por pedir a Brizola para construir a instituição, que infelizmente, era palco de um dos eventos políticos mais enojantes que eu já presenciei.

Voltando à nossa missão no evento, estendemos uma faixa pedindo que o governador devolvesse as terras roubadas dos agricultores do Açu e fomos não só ignorados por todos ali presentes, como fui ameaçada por um correligionário de Garotinho de receber ordem de prisão porque estava atrapalhando a visão dele. Esse senhor, cujo nome ignoro, tocou em mim e eu só não tive uma reação a altura porque o foco naquele momento era ajudar a luta de dona Noêmia.
Na fala de Carla Machado, gritamos junto com a dona Noêmia para que fossem devolvidas as terras do Açu e Carla falou que devolver as terras roubadas seria ilegal e que todos os crimes que vêm sendo cometidos contra os agricultores da região seriam sacrifícios necessários para o desenvolvimento econômico do Açu.

Voltamos a gritar durante e fala do governador Cláudio Castro e ele nos chamou de baderneiros por estar atrapalhando a campanha eleitoral dele que ocorria ilegalmente dentro de uma universidade pública. Dona Noêmia começou a passar mal, sendo ignorada pela plateia bajuladora e acolhida somente por uma mulher da equipe do governador, que garantiu que fosse feita uma conversa ao final do suposto fórum. Dona Noêmia falou com ele que o que houve não foi desapropriação, mas expropriação. Em vídeo registrado durante a conversa, ela fala: “Eu tenho pouco tempo, mas enquanto eu tiver um suspiro, eu vou lutar! Eu sou representante daquele povo e aquele povo não merece. O porto é maravilhoso, o império é maravilhoso, mas o nosso suor e o nosso sangue na produção do alimento é muito mais precioso.”

O governador se comprometeu a receber dona Noêmia, com a presença do IPERJ, da Procuradoria de Estado e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Dona Noêmia solicitou também a presença de Roberto Moraes e da diretora da UFF Campos, Ana Costa. O governador pediu ao deputado estadual Bruno Dauaire para agendar a reunião com o seu chefe de gabinete, Abel.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Dois anos de Miguel

Há dois anos, minha vida virou de cabeça pra baixo com o nascimento do meu filho Miguel... Tirei a gravidez de letra, mas depois que ele nasceu, tudo se transformou...
Sempre sonhei em ser mãe... Sempre sonhei em dar uma família perfeita pro meu filho... E sempre persegui esse ideal romântico dos filmes da Disney: e eles viveram felizes para sempre!
Mas a perfeição não existe... O relacionamento que eu tive com Lucas foi muito positivo em muitos aspectos, me trouxe muitos aprendizados, mas não foi perfeito...
A maternidade romantizada me trouxe muitas alegrias, mas também veio acompanhada de depressão, solidão, ansiedade, vontade de sumir e muita culpa...
Não quero assustar ninguém com esse relato... Eu amo muito o meu filho e, se preciso, passaria por tudo novamente pra ter meu Mimizinho perto de mim!
Nada no mundo se iguala ao amor que eu tenho por Miguel e a maternidade é uma experiência tão individual, tão única, que cada um vive e enxerga de maneira diversa, graças a Deus!!!
Sigo amamentando (hoje completo minhas tetas de diamante!) e amando do meu jeitinho meio boba de ser...
Lucas e eu estamos agora separadxs e todo o meu ideal de família perfeita está dando lugar à família possível, que ama, que erra, que discute, mas que acaba se entendendo depois, porque, acima de tudo, sempre quer o melhor para Miguel!
Então é isso, filho... Resumindo, mamãe te ama mais do que tudo... Hoje e para sempre!! <3

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Os dois primeiros meses

Comecei a escrever semanalmente, mas esses dois meses foram tão intensos, que acabei me esquecendo do blog... Hoje, véspera de Miguel completar 2 meses, me deu vontade de escrever novamente.
Como relatei anteriormente, as primeiras semanas foram muito difíceis: dificuldade de adaptação à amamentação, bico do peito rachado, muita dor, perda de peso de Miguel, momentos de pânico, insônia, sensação de impotência e incapacidade.
Até que, aos poucos, Miguel aprendeu a pegar o peito corretamente, o bico do peito foi sarando, ele passou a ganhar peso, eu fui aprendendo a cuidar dele, dar banho, trocar roupa e fralda mais rápido, me acostumando com a companhia doce e suave do meu bebê. E, de repente, o que parecia um pesadelo, se transforma novamente num doce sonho, que eu cultivava desde que planejei engravidar.
Nesses dois meses, Miguel aprendeu a diferenciar o dia da noite. De dia, ele quase não dorme, só cochila. De noite, dá intervalos grandes de 3h ou 4h entre as mamadas e volta a dormir. Após as mamadas, espero 20 minutos com ele no colo pra que ele possa arrotar, deitando e levantando o corpinho dele.
Miguel ainda é muito mamador. E é difícil manter ele acordado por mais de 30 minutos sem que ele chore querendo mamar e mamar.
A tardinha, ele começa a mamar ininterruptamente até pegar no sono da noite. Nesse horário, ele fica meio enjoadinho, embora eu não ache que ele tenha cólica de verdade. Sigo fazendo dieta, dando luftal e colikids para evitar as temidas cólicas.
Nesses meses, Miguel também aprendeu a sorrir. E é um sorriso gostoso, com a boca e com os olhos, que faz o nosso dia ficar muito mais feliz.
Ele gosta ver a luz, de ouvir música e barulhinhos de brinquedos, acompanha bem o nosso rosto quando a gente fala com ele. É muito esperto esse meu bebê!
Miguel também aprendeu a girar. Quando a gente coloca ele de bruços na cama, ele levanta bem a cabecinha e o tronco e cai para o lado, virando de barriga pra cima.
Atualmente, tem chorado menos nos trajetos de carro, mas ainda não tive coragem de andar com ele sozinho.
Foram dois longos meses! E aprendemos muito nesse período...
Cada dia que passa, Miguel está mais espertinho e eu fico mais apaixonada.

sábado, 27 de maio de 2017

Terceira semana

O 15o dia de Miguel foi um sábado. A manhã e a tarde foram super tranquilas. Almoçamos na casa da vovó Rosane e por volta das 16h fomos conhecer o apartamento do tio Saulinho. Às 18h,teria uma festinha de aniversário com tema Pokémon do tio Saulinho. Resolvemos ficar apenas no inicinho da festa para evitar aglomerações. Por volta das 19h,retornamos para casa, preparamos o ambiente escuro e fomos dormir mais cedo. Tivemos uma noite bem tranquila, com intervalos de mamadas de 2 a 3h. Umas 4h30 da manhã, na troca de fralda, Miguel fez muito xixi e molhou a roupa toda. Limpamos bem ele, trocamos toda a roupinha e, por fim, mais um mamá gostoso.
O 16o dia foi um domingo. Recebemos a visita da vovó Rosane de manhã, ouvimos junto com Miguel uma palestra a respeito do dia das mães. Eu já me sentia bem mais independente pra trocar fralda e roupa. Mas estava chovendo muito e devido ao xixi na hora da troca de fralda, fiquei preocupada de acabar as roupas quentinhas (tá frio!). Tem que ter bastante macacão e/ou body comprido sem gola para essas emergências de dia de chuva. A vovó Heloísa trouxe o almoço de domingo. Junto com ela, vieram o dindo Bruno, o vovô Amilto e a bivó Laura. Logo depois do almoço, chegaram a vovó Rosane e o vovô Flávio. Recebemos ainda a visita de um casal amigo, dos tios Pedro, Juliana e dos primos Maria Clara e Davi. Foi um dia bom, Miguel estava bem e calmo. Tia Juliana sugeriu que, ao invés de colocar uma fralda sobre Miguel para absorver o possível xixi que ele fizesse na troca da fralda, que usássemos lenço umidecido, que absorveria melhor o xixi. Lucas e eu decidimos testar a máquina de lavar no modo bebê e, em seguida, testar o modo secar. Deu certo! Agora teríamos uma alternativa para a chuva. Só não funcionou com a fralda de pano, que ficou enrugada. Dormimos tranquilos com mamadas com intervalos de 2 a 3h e, aparentemente, o método do lenço umidecido funcionou muito bem. Sem roupa molhada nesta madrugada.
O 17o dia amanheceu tranquilo.  Comprei no aliexpress uma bomba elétrica de tirar leite já pensando no dia que eu retornar ao trabalho. Muito mais barata que no mercado livre. Miguel ficou bem acordado grande parte da manhã, entre mamadas, caminhadas pela casa e momentos em que ele ficava na cama de barriga pra cima, olhando a luz e o nosso rosto. De tarde, recebemos a visita da minha amiga Lívia e da sua mãe Léa. Depois chegaram vovó Rosane e tia Gylsinha. Foi bem agradável. Fomos dormir bem cedinho essa noite: por volta de 20h30. A noite, teve um único loop infinito de mamada (mama, cochila e acorda) e, depois, acordou em intervalos de 2h. Molhou apenas uma roupinha de xixi lá pras 5h da manhã.
No 18o, o sol veio nos visitar finamente. Tomamos banho de sol e vovó Rosane aproveitou o dia mais quente para dar banho nele (ele já estava há 2 dias sem banho por causa do frio, só higienizando o rosto e pescoço com algodão molhado!). Observei o banho e pedi pra mamãe me ensinar a "virada" sobre a cama, pra não ter risco. Ela me ensinou e acho que aprendi. Mas ainda não tenho segurança de dar o banho, muito menos sozinha.
De tarde, ele mamou bastante e dormiu por intervalos relativamente pequenos. Lucas teve que ir ao iff, mas dessa vez eu fiquei mais tranquila sozinha com Miguel. Mais tarde, recebemos a visita da vovó Heloísa junto com a amiga Henriqueta. Lucas chegou. Antes de dormir, Miguel entrou num novo "loop infinito", de mamada com punzinho com bem pouco cocô e troca de fralda e/ou roupa (quando ele fazia xixi na troca de fralda). Até que adormeceu por cerca de 2h e por volta da meia noite, fez uma quantidade maior de cocô, interrompendo aquele ciclo de punzinhos, mamou e dormiu melhor. Acordou quase 3h depois. Mamou e dormiu tranquilo novamente.
No 19o dia, Miguel amanheceu calmo. Sujou mais uma roupinha, mamou um cadinho e ficou um bom tempo acordado olhando pra papai e mamãe. Mais uma mamadinha e pegou num soninho bom. De tarde, recebemos visitas da vovó Rosane, da dinda Isabel e da priminha Luísa. Miguel começou a mamar e demorou mais de duas horas. Mamava, cochilava no peito e quando tentava colocar pra arrotar, queria mamar de novo. Isabel me lembrou que meu tio, Luís Alberto Mussa Tavares, é especialista em amamentação e que a havia ajudado muito. A minha amiga Thays tinha falado isso comigo mais cedo também. Por que eu demorei tanto para procurá-lo? A cabeça da gente fica tão esquecida e, apesar da pega, estar boa, eu precisava recorrer a ajuda devido ao tempo grande de mamada que não saciava Miguel. Mandei mensagem pra tio Luís a noite, mas só fui ler a resposta na manhã seguinte. A noite foi tranquila, sem roupas molhadas.
Na manhã do 20o dia, ouvi a resposta do meu tio pelo zap. Ele me aconselhou levar Miguel na unimed para pesar e lá, ele me daria orientações. Miguel estava com 3,1 kg. Não tinha ganhado muito peso, apesar de estar mamando tanto tempo seguido. Tio Luís verificou a pega e estava correta. Disse que, ele poderia estar mamando mais o primeiro leite (que mata mais a sede) e não tivesse alcançando o leite intermediário e posterior, com mais gordura e proteína, por isso ficava faminto por mais tempo e não tinha ganhado tanto peso. Mas isso varia de mãe para mãe, por isso é essencial a ajuda do especialista para qualquer problema ou dificuldade. Algumas dicas que ele me deu (para o meu caso específico!):

1. Tranquilidade.
2. Tirar o excesso do leite aguado antes da mamada (no meu caso particular!). Comprei a bomba mecânica da MAM, que tem controle da sucção e me adaptei bem a ela.
3. Tentar outras posições para ter diferentes pegas e sucção. (vertical, invertida)
4. Evitar usar a concha o tempo todo, como eu estava fazendo. Usar fralda de pano dentro do sutiã para não molhar a roupa. A propósito, comprar muita fralda de pano e embainhar, porque usa essa fralda sobre o trocador, sobre a mama, suja muito e parece não ter fim.
5. Me distrair com coisas leves, como séries de comédia. Evitar adrenalina.

Fomos pra casa da vovó Rosane. Taquei a concha pela fralda de pano, extraí o leite com a bomba e Miguel mamou a tarde inteirinha. Mas finamente senti minha mama mais vazia, ou seja, acho que ele mamou o leite posterior.
Chegando em casa, o nosso quarto (onde Miguel dorme) estava com um cheiro enorme de cera. Havíamos pedido pra secretária aproveitar nossa ausência pra limpar o quarto, mas não imaginávamos chegar com esse cheiro. Não havíamos orientado ela sobre que produto de limpeza usar, até porque eu nunca tinha pensado nisso. O quarto de Miguel estava cheio de mosquito e o cortinado estava adaptado somente ao berço acoplado à cama do nosso quarto. Lucas levou o colchão pro quarto de Miguel (sem cheiro) e readaptou a estrutura do cortinado. E fomos dormir lá no chão com ele. A primeira noite no quarto montessoriano foi tranquila. Miguel mamou em intervalos de 2 a 3h e, antes de uma dessas mamadas, enquanto Lucas trocava fralda, extraí um pouco de leite com a bombinha. Acho que ele ficou satisfeito, embora tenha tido bastante gases.
No último dia da terceira semana, Miguel mamou bastante e dormiu pouco na parte da manhã. Eu seguia usando a fralda no lugar da concha e, quando dava tempo, tirando o leite inicial com o bombinha. Minhas mamas estavam mais macias, então acho que ele estava chegando no leite posterior. De tarde, Miguel deu mamadas com menores tempos e tirou mais sonecas entre elas. Mais uma noite tranquila. E a terceira semana termina, melhor do que a segunda, que, por sua vez, também foi melhor do que a primeira.

Dicas da semana:

Não deixe de procurar um especialista em amamentação qualquer dúvida que surgir. É bom ter uma bomba de sucção, caso seja indicado esse procedimento pelo especialista;

Não use produtos de limpeza com cheiro forte no quarto do bebê ou próximo a ele. Existem substitutos sem tanta química que podem auxiliar.

http://blogs.gazetaonline.com.br/dicasdalucy/2013/08/28/alergia-e-os-produtos-limpeza/

http://pordentrodomeioambiente.blogspot.com.br/2012/07/casa-limpinha-sem-produtos-quimicos-ou.html?m=1

Faça uma playlist antes do bebê nascer com músicas variadas, de preferência, instrumentais. As vezes, a gente não sabe mais o que cantar... A coleção mpbaby é bem bacana. Mas não achei os álbuns completos pra baixar, tive que extrair música por música do YouTube. Separe um pendrive (ou CD) com música mais relexante pro início da noite.

Dica sobre vaporizador ou umidificador :

https://www.google.com.br/amp/www.mildicasdemae.com.br/2012/08/vaporizador-ou-umidificador-o-que-comprar-para-sua-casa.html/amp

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Segunda semana

O 8o dia de vida de Miguel foi um sábado. Acordamos bem melhor porque iríamos receber visitas. Durante todo o dia, Miguel mamou bem, embora com intervalos irregulares. Mas eu estava bem mais descansada e o peito bem menos dolorido. Quando o bebê aprender a pegar, tudo fica melhor. Também estava um pouco mais independente, embora não tenha tido coragem ainda de dar o banho no Miguel. Meu marido Lucas, no entanto, já estava fera nas trocas de fraldas, roupas e banho. De tarde, recebemos várias visitas e nos distraímos bastante. De noite, as mamadas continuavam irregulares. O intervalo entre elas variava desde 30 min até o limite máximo de quase 3h.
O 9o dia foi o domingo de dia das mães. Meu primeiro dia das mães como mãe! Acordamos bem e, de tarde fomos passear na casa da bivó Hilda. Foi um dia muito agradável, muitas fotos com priminhos e titios. Finalmente eu estava curtindo ser mãe! Acabamos nos atrasando um pouquinho pra sair da casa de vovó e chegamos meio tarde em casa. Logo que chegamos, Miguel tinha feito muito cocô, sujando roupa, carrinho e tudo o que estava por perto. Lucas deu o banho e fomos dormir. Miguel estava bem agitado essa noite. Acordou com grande frequência e chorando muito.
No 10o dia, chamamos um reforço de dedicação porque havia aparecido uma lacraia no banheiro. Embora os produtos da dedetização fossem completamente sem cheiro, preferimos passar a tarde na casa da vovó. Foi bem agradável! Assisti netflix, conversei com minha irmã Isabel e brinquei com minha afilhada querida Luísa. Chegamos umas 19h em casa, Miguel mamou por cerca de uma hora e dormiu. Lucas e eu pudemos, então, finamente assistir juntos a um episódio de uma série que acompanhávamos. Essa noite foi bem tranquila. Miguel fez intervalos de quase 3h entre as mamadas. 
No 11o dia, mamãe resolveu cortar o cabelo bem curto. Não queria mais cabelinho caindo no rosto do bebê. Após uma boa mamada, fomos junto com a vovó Rosane pro salão e Miguel dormiu até o fim do corte. Lucas pegou o resultado do meu exame de sangue. A anemia permanecia bem forte, porque eu ainda estava perdendo sangue. Depois ficamos um pouquinho na casa da vovó Rosane e fomos pra casa almoçar. Até que Lucas me lembrou que teria que ir pra uma aula na Uenf. Ou seja, eu ficaria sozinha em casa pela primeira vez. Bateu uma preocupação forte. Antes de Lucas sair, Miguel fez cocô e eu fui trocar. Quando tinha acabado de limpar e tirar a fralda suja, Miguel fez muito mais cocô e sujou a roupa e o corpinho todo. Tivemos que dar banho. Eu vigiei Miguel no trocador enquanto Lucas foi pegar a água. Ajeitamos a banheira e eu pedi a Lucas pra me orientar pra eu dar o banho. Consegui dar o banho de barriga pra cima, mas não consegui de jeito nenhum virá-lo de costas. Lucas terminou de dar banho, eu fui pegar as roupinhas e, por fim, Miguel estava limpinho e cheiroso. Lucas foi pra uenf. Mas aí me bateu o desespero. E se Lucas já tivesse saído na hora do cocô? Como eu iria fazer? Não sabia dar banho... Lembrei que Lucas voltaria a trabalhar em breve (a licença dele seria de 20 dias corridos, o que é melhor do que os 5 dias habituais, mas ainda é muito pouco) e que eu poderia ficar sozinha por muito mais tempo e que não sabia me virar. Há pouco tempo, não estava conseguindo cuidar direito nem de mim, quanto mais de nós dois! O pânico retornou com força. Logo depois chegaram meus irmão Saulinho, minha cunhada Gylsinha, a dinda de Miguel, Isabel e minha afilhada Luísa. Me distraí um pouco, mas a neura permanecia. Quando todos foram embora, Lucas colocou série pra nos distrair, mas meu pensamento estava fixo. Os gases estomacais (sintoma do meu pânico) retornaram com força. Resolvemos, então, apagar as luzes, fazer uma leitura, oração, cantar músicas religiosas. Graças a Deus, mamãe chegou pra dormir com a gente e disse que eu não precisava saber tudo ainda. Que se ele fizesse cocô e eu estivesse sozinha em casa, que eu o colocasse no meio da cama ou no berço (deixar ele no trocador por qualquer segundo pra pegar qualquer coisa é perigosíssimo!) e que o limpasse com lenço umedecido mesmo. Que eu me preocupasse apenas com a segurança dele e que o resto eu iria aprendendo aos poucos. Ela me ensinaria a virada do banho fora da água pra eu ir aprendendo antes de dar o banho na banheira. Mais calma, oramos novamente e eu consegui adormecer. Mas Miguel acordou a noite toda... Simbiose completa! Mamãe agitada, Miguel agitado! Mas nada como um dia após um outro dia. 
No 12o dia, amanhecemos mais calmos. Miguel mamou bastante. Tomamos banho de sol com a vovó Rosane e Miguel adormeceu com a feição mais tranquila. Dormiu por cerca de 3h. Eu pude, então, tomar café, banho, me distrair no celular e relaxar. Quando Miguel acordou, deu várias mamadas curtas e permaneceu acordado entre elas. Eu consegui distraí-lo bem entre as mamadas. Ora eu andava com ele virado pra frente (pra não ficar sentindo o cheiro do peito), ora eu botava em cima da cama pra ele mexer os bracinhos, olhar meu rostinho e olhar pra luz (ele ama luz!). Almocei e Miguel deu uma dormidinha um pouco maior. Fomos então visitar os bivós maternos e, em seguida, fomos para a minha consulta com dra Fabíola. Minha anemia continuava bem alta e ela recomendou que eu comesse bastante carne vermelha, aumentando também a dose do ferro. Voltando pra casa, passamos num churrasquinho. Fizemos nosso culto do lar e tivemos nossa melhor noite. Miguel deu intervalos de quase 3h e eu consegui dormir de verdade entre os intervalos. O único inconveniente foi que, durante as trocas de xixi e cocô, Miguel passou a fazer xixi, molhando toda a roupinha. Ou seja, haja roupinha pra trocar! E o mais importante, roupa comprida de dormir sem gola, porque a gola só atrapalha! Enfim, tentamos resolver a situação cobrindo o pintinho com uma fralda de pano durante a troca de fralda.
No 13o dia, amanhecemos bem. Pena que não teve sol pra tomarmos o bom banhinho de sol. Logo de manhã, fomos pra casa de vovó Rosane, encontrar a dinda e a priminha Luísa que tinham dormido por lá. Foi um dia bom. Miguel continuou mamando em intervalos irregulares e fazendo xixi durante a troca de fraldas. Mas colocar um paninho em cima do pintinho ajudou em algumas ocasiões. Em outras, não deu certo. Neste dia, eu fui mais independente, troquei mais fraldas, só não encarei o banho. Voltamos pra casa, acompanhei o banho que Lucas deu nele e começamos a preparar a casa pro sono. Escurecemos tudo, fizemos silêncio. Lucas e eu dormiríamos sozinhos com Miguel pela primeira vez. Mas nos sentíamos preparados. Durante a mamada das 20h, cantamos hinos suaves pra ele, fizemos oração e ele teve mais uma noite tranquila, com intervalos entre as mamadas de cerca de 2h30. Que Deus seja louvado! 

No 14o dia, Miguel acordou molhado. Trocamos a fralda e a roupa. Mamou um pouquinho e, em seguida, molhado de novo. Eu tinha deixado a fralda meio folgada. Durante a troca da fralda, fez xixi novamente. E se acabaram as roupas sem gola. Tivemos que começar a usar as roupas com gola então. Estava chovendo e as roupas não queriam secar. A manhã e a tarde foram calmas, com bons intervalos entre as mamadas. De noite, ele mamou bastante, deu um bom intervalo, mas por volta das 2h,acordou e entrou num “loop infinito”. Mamava, dormia, quando colocávamos no berço, acordava. Por diversas e diversas vezes. Lucas tentou aquecer o colchão do berço com o rosto dele, porque tava bem frio. Toda hora verificávamos a fralda. As vezes ele acordava com o punzinho. Até que finalmente, na última micro mamada, senti que ele ficou mais molinho. Havia pegado no sono de verdade... Ufa! E assim, terminou a segunda semana de Miguel. 

Dicas da semana: Na hora do desespero, deixar o bebê num lugar seguro (mesmo que chorando) e pegar tudo o que precisar (trocador, fralda de pano, fralda, algodão ou lenço umedecido, etc); se você tiver uma máquina boa que lave roupa de bebê, coloque a roupa dentro do saquinho específico e aproveite a máquina; se a máquina tiver opção de secar, melhor ainda!; se você não teu TV a cabo e sua TV não é smart, se tiver possibilidade, compre um Google chromecast, que permite você assistir Netflix e YouTube na TV controlando pelo celular. 

Dicas sobre como lavar roupa de bebê na mão ou na máquina :

http://maedacabecaaospes.com.br/dicas-para-lavar-roupas-de-bebes-e-criancas/

domingo, 21 de maio de 2017

Primeira semana

Devido ao grande sangramento que eu tive após o parto, adquiri uma anemia bem forte. Fiquei os dois primeiros dias do nascimento de Miguel internada e no soro. Mamãe e Lucas ficaram comigo no quarto. Miguel tentava mamar e lamber o colostrinho. Teoricamente, eu sabia como era a pega correta: no mamilo todo, os lábios invertidos. Mas não consegui reconhecer na hora se a pega estava muito boa. Por isso, talvez seja importante pedir ajuda de outra pessoa para verificar se o bebê pegou o biquinho ou não. Mesmo a pega não estando muito boa, estômago de Miguel era tão pequenininho, do tamanho de uma cereja, que qualquer colostrinho que ele conseguia lamber ou mamar o satisfazia... O hospital trazia o um copinho de nan a cada 3 horas, mas como Miguel estava mamando razoavelmente bem pro início, não houve necessidade de dar nan pra ele, conforme eu desejava. No terceiro dia, tive alta por volta da hora do almoço. Cheguei em casa e recebi muito apoio do marido, da sogra e da mãe. Miguel continuava mamando colostro com uma boa frequência. No entanto, por mais que eu estivesse tentando fazer uma dieta bem restrita, os gases estomacais estavam me atacando com força. Não consegui dormir bem nem no hospital, nem em casa por causa das frequentes mamadas e, sobretudo, por causa dos gases. No quarto dia, terça feira iríamos dar o nosso primeiro "passeio" para fazer o teste do pezinho. Minha bermuda de grávida, que havia ficado apertada no 7o mês de gestação, já cabia em mim novamente. Miguel começou a mamar logo antes do teste e permaneceu mamando durante a furadinha. O sangue saiu bem fácil, bastou um único furinho e Miguel nem chorou. Miguel continuava com uma pega meio irregular, pegando mais o biquinho do que a auréola. Eu continuava meio pateta em casa, tendo mãe, sogra, secretária e marido fazendo tudo por mim e por Miguel. Não sabia trocar fralda, não sabia trocar roupa, nenhum progresso. As pessoas querem te poupar porque você está debilitada. Mas, quando possível, peça pra que alguém te ensine alguma coisa, com calma, sem afobação, sem querer aprender tudo de vez, porque você também precisa se recuperar. Continuava não conseguindo dormir nem de dia e nem de noite (malditos gases) e fiz uma dieta rigorosa para não ter gases. Era um grande alívio receber visitas e me distrair um pouco, ao contrário do que algumas mães sentem, embora isso seja uma questão muito pessoal. No quinto dia, Miguel parecia muito faminto. Ele começou a pegar o peitinho de forma acelerada. Fiquei animada no princípio com aquela disposição. Mas as mamadas passaram a ter uma continuidade e frequência absurda. Ele saía de um peito pro outro, chupando muito rápido. Depois do dia inteiro de mamadas aceleradas, percebi que ele estava, na verdade, chupando o biquinho. Como saía pouco leite porque a pega estava errada, ele acabava querendo mamar cada vez mais. Por causa disso, o meu peito ficou bastante ferido. Amamentar passou a ser uma grande tortura. Os gases estomacais continuavam me perturbando muito. No sexto dia, o leite finalmente desceu! A concha passou a ser item fundamental porque enquanto Miguel mamava num peito, o outro vazava bastante leite. Miguel foi melhorando a pega, mas o peitinho já estava em carne viva e eu não estava suportando amamentar. Fui orientada a, após cada mamada, usar o leite que ficou na concha para molhar o peito, já que o leite teria efeito cicatrizante. Novamente, a concha foi fundamental pra guardar esse leite. Após cada mamada, higienizar a concha e, uma vez por dia, fervê-la. Minha noite foi terrível devido ao revezamento das mamadas dolorosas com os gases estomacais perturbadores. Estava exausta, mas não conseguia dormir. No sétimo dia, fomos à consulta com tia Nazareth. Miguel estava ótimo e pesava 2,8 Kg. Ele havia perdido 200g por causa da redução do inchaço. Falei também a respeito do peito machucado. Ela falou do leite, do mamão, do banho de sol e disse que, se estivesse insuportável, eu poderia tentar usar o bico de silicone.  Pedi pra Lucas comprá-lo imediatamente após a consulta para usar somente em caso de emergência. Chegando em casa, continuei tentando dormir sem sucesso. Além dos gases, comecei a sentir uma aceleração no coração e uma angústia enorme. Busquei ajuda médica e comecei a tomar um medicamento que, me acalmaria e não teria quase nenhum efeito sobre o bebê. O pediatra também autorizou o uso do medicamento. (Não digo o nome do medicamento aqui porque ninguém deve se auto medicar. Se precisar de ajuda, procure o médico). Comparam uma lata de enfamil e copinhos de isopor para o caso de eu não conseguir amamentar de madrugada. Mas consegui! Não precisei nem do bico de silicone. A dor já havia se tornado mais tolerável, porque a pega estava melhorando. Concluí que realmente é preferível tomar remédio (apenas com indicação médica!) do que ficar estressada e passar todo o stress no leite pro bebê. E depois de quase uma semana sem dormir praticamente nada, nessa noite eu consegui relaxar um pouco. No sétimo dia, o peito continuava doendo, mas devido à pega já correta, ao leite da concha, ao mamão e ao top less no quintal, a dor foi regredindo de forma significativa. Soube também do efeito cicatrizante do chá de carajuru, que seria providenciado. Neste dia, recebemos mais visitas, me distraí mais, descansei mais e terminei a primeira semana com um grande alívio e esperança de dias mais tranquilos. 

Dicas da semana: compre papel toalha para enxugar as mãos (suas e dos convidados) e álcool gel; compre um par de concha de silicone e outro par de concha dura para revezar se uma delas irritar sua pele (no meu caso, preferi a concha dura). Higienize a concha a cada mamada e ferva uma vez por dia; Se o beber pegar o biquinho ao invés da auréola (é difícil perceber, às vezes), tire ele do peito com dedo mindinho no cantinho da boca e deixe ele abrir bem a boca para pegar a auréola toda; use o leite da concha, a parte interna da casca de mamão, banho de sol ou chá de carajuru para tratar do bico machucado (lave com água filtrada antes de dar mamá); tenha lenço RN de stand by caso a garrafa térmica seja quebrada no 3º dia, como aconteceu com a gente; tenha bodies e macacões RN sem gola, de preferência; tenha bastante fralda  de pano embainhada (as vezes, elas vem sem bainha); tenha tenha vários sutiãs de amamentação porque molha as vezes e camisas que abrem inteiras (não me dei bem com as que abrem pela metade por enquanto). Caso esteja com blues pós parto, depressão ou pânico, procure ajuda médica responsável.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

O parto

Na quinta-feira, dia 04/05, descobri finalmente o que seriam as tais contrações de trabalho de parto. Diferentemente das contrações de treinamento, em que eu só sentia um endurecimento na parte superior da barriga, nas contrações do trabalho de parto, eu podia ser uma leve cólica (semelhante à cólica menstual) e uma dor na lombar. Ao invés de me incomodar, as contrações me trouxeram o  grande alívio... Achei que não iria reconhecer as contrações efetivas na hora que elas se iniciassem. Além disso, eu soube naquela hora que o nascimento de Miguel estava bem próximo. No entanto, as contrações estavam bastante irregulares. Continuava a perder o tampão mucoso com um pouco de sangue. Dra Fabíola e as enfermeiras da Madria me aconselharam a permanecer atenta aos sinais.
Na sexta-feira, dia 05/05, as contrações passaram a ocorrer de forma regular, de 15 em 15 minutos. As enfermeiras Marcilene e Carolina foram à minha casa, ascultaram o coraçãozinho de Miguel, acompanharam comigo a frequência das contrações e me confirmaram que a vinda do Miguel estava próxima. Não fiquei muito ansiosa. Pelo contrário, me alonguei bastante, respirei, editei um vídeo de um voo de asadelta que eu tinha feito  no ano passado e até saí pra comer uma pizza com duas amigas do Ensino Médio, Clarisse e Vanieri.
De noite, percebi que o intervalo entre as contrações começou a ficar menor: 12 em 12 minutos, 10 em 10 minutos. Até que, por volta das 4h da manhã, senti um líquido vazar através da calcinha: a bolsa havia estourado. O líquido estava um pouco esverdeado, provavelmente porque estava misturado a um pouco de mecônio, que é o cocozinho inicial do bebê. Liguei pra mamãe, que prontamente veio para minha casa, para as enfermeiras da Madria e para Dra Fabíola. A princípio, não estava conseguindo falar com ela, até que reparei que estava ligando pro consultório... rs
A essa altura, as contrações passaram a ocorrer em intervalos de 3 a 4 minutos. Fomos imediatamente para o hospital, chegando lá por volta das 5h da manhã, horário em que a entrada da maternidade está fechada e tem que entrar pela entrada do hospital. As enfermeiras Carolina e Jane já estavam por lá me aguardando. No entanto, devido aos trâmites burocráticos, só pude entrar, a princípio, com Lucas, que veria a papelada para a liberação do quarto. Enquanto isso, fui levada para uma sala onde uma médica faria uma primeira avaliação. Duas gestantes tinham chegado antes de mim, de forma que fiquei cerca de 30 minutos aguardando o atendimento em uma sala quente, em decúbito dorsal e sentindo dores bem fortes, aliadas a uma sensação parecida com uma vontade de fazer cocô. A médica verificou que eu já estava com 7 a 8 cm de dilatação. Fiquei, então, na sala de pré parto, ainda sozinha, com muitas dores, aguardando a liberação do quarto. Finalmente, fui transferida para o quarto, onde me aguardavam mamãe, Lucas, Carolina, Jane e Dra Fabíola. As dores estavam quase insuportáveis e eu tinha que fazer muita força de expulsão, o que estava me deixando exausta. Lucas me fez massagens, Carolina e Jane me auxiliavam orientando posições diferenciadas, com a bola de pilates, a banqueta, o banho quente, mas eu já não suportava mais tanta dor e esforço. Comecei até a pedir para que Dra Fabíola fizesse a cesária. Eu gritava: "Me corta, doutora! Não aguento mais!". Graças a Deus, todos me apoiaram e não me deixaram desistir do parto natural. A hora da chegada de Miguel estava muito próxima!

Até que a pediatra, tia Nazareth, chegou ao quarto e pediu para que o parto fosse realizado na sala de parto propriamente dita, por causa da estrutura para atendimento do bebê após o parto. 
Na hora, eu pensei que iria pra um lugar horroroso, ficar em decúbito dorsal e com as pernas para cima. Mas era uma cadeira com uma boa inclinação e que não dificultou a fase final da expulsão. A cabeça do bebê começava a aparecer e, mesmo assim, eu ainda achava que não conseguiria. Dra Fabíola fez um pequeno corte no perínio para facilitar a passagem da cabecinha dele. Tinha muito medo desse corte (episiotomia), mas a médica aplicou uma anestesia local e, diante das dores parto, a episio não incomodou nadinha. Continuei fazendo muita força até que, finalmente, a cabecinha saiu e, após a cabecinha, o corpo todo saiu quase que escorregando. Um grande alívio! Tínhamos conseguido! Miguel havia nascido às 9h da manhã com 3,090 kg e 48 cm. 
Tia Nazareth trouxe ele ao meu colo, ele lambeu um pouquinho de colostro, o cordão umbilical foi cortado e ele foi receber os primeiros atendimentos. 
Meu tio Luís Alberto, também pediatra, acompanhou o nascimento com seu olhar de poeta e fez esse belíssimo relato, que compartilho abaixo:
"O menino viu pela primeira vez as cores do planeta nessa manhã de sábado. Como se não se importasse com o desconfortos das últimas contrações maternas, chegou exuberando saúde em forma de choro e uma vermelhidão que devem ter lhe garantido a nota máxima na avaliação da tia que o recebeu nos braços e cuidou de lhe aplicar os primeiros cuidados. O pai não se conteve ao vê-lo pela primeira vez. Chorou em silêncio quase em forma de oração, coçou a cabeça como fazem os símios e como se aquele gesto significasse a grande dúvida que respira no coração paterno a respeito dos mistérios do nascimento.Deixou a sala de partos murmurando alguma frase a respeito de ser pai.A avó acompanhou a mãe desde as primeiras contratações, traduzindo uma maternidade que se torna para sempre desde o momento que habita o coração que gera e cria. 
A poesia silenciosa observa o nascimento como necessidade da vida e da preservação do amor e da esperança numa humanidade que ainda se ama mesmo enquanto se fere e se castiga a si mesmo. 
Felicidades, Juliana, Lucas e Miguel. 
Deus esteja conosco hoje e sempre."
Após a saída de Miguel, a placenta também desceu sem maiores dificuldades. 
Apesar da episiotomia, houve também várias lacerações internas e o processo de sutura bastante tempo. Eu estava cansada e ansiosa para retornar pro quarto... 
Cheguei no quarto, colocaram soro glicosado com ocitocina e eu tentei descansar. 
No entanto, meu útero não regrediu como deveria. Por causa disso, continuei tendo contrações, só que menos dolorosas do que as do trabalho de parto. As contrações vinham praticamente de 5 em 5 minutos e eu não aguentava mais sentir dor. 
A minha médica não pôde retornar por causa de seus filhos pequenos, mas pediu para que as doutoras Neuzinha e Marina, que estavam de plantão, me acompanhassem. O hospital estava lotado de gestantes, partos naturais, cesárias... Por isso, somente às 14h elas puderam chegar, verificando que meu útero ainda estava muito alto, bem acima do umbigo. 
Dra Marina começou a pressionar a minha barriga e a retirar vários coágulos, que estavam dentro de mim, causando todas aquelas dores. Colocou também 4 supositórios que ajudariam na regressão do útero. Graças a Deus, tive um grande alívio depois disso... As cólicas finamente desapareceram...
Devido à grande quantidade de sangue perdida, minha pressão permaneceu um pouco baixa, quase desmaiei ao tentar levantar da cama. Adquiri uma anemia bem severa também, de forma que meu pai achou que eu precisaria até de uma transfusão de sangue, fazendo uma campanha pela internet. Não precisei, mas a campanha deve ter  sido útil para outras pessoas.
Aos poucos, fui ficando um pouco mais bem disposta e com bastante colostro para oferecer pro meu filhinho Miguel, que tentava lamber e chupar e dormir. O nan chegava no quarto de 3 em 3 horas, mas Miguel não precisou tomar porque estava se alimentando do colostro.
Agora é amamentar, repousar e me preparar pra ser uma boa mãe!

Preparativos

Antes mesmo de descobrir que estava grávida, fez uma pesquisa sobre obstetras que fizessem parto natural pela Unimed. Após muita procura, descobri a doutora Fabíola. Quando eu consegui marcar a primeira consulta, ainda não sabia que estava grávida. No dia da consulta, no entanto, eu já estava grávida de 8 semanas. Gostei muito da médica, muito calma e atenciosa. Ela me confirmou que fazia o parto natural e, melhor ainda, não cobrava nenhuma taxa de disponibilidade.
Meus primeiros meses foram muito tranquilos, nenhum enjoo e muita fome. Acabei engordando bastante, mas não estava tão preocupada com isso. Comecei também a fazer pilates com objetivo de fortalecer a musculatura, sobretudo, do períneo. Coincidentemente, a minha professora Bárbara também estava grávida com tempo  de gestação bastante similar ao meu. A próxima etapa do planejamento foi encontrar uma doula para me acompanhar no trabalho de parto. A minha ideia era ir pro hospital o mais tarde possível e, dessa forma, achei melhor ter um acompanhamento anterior em casa para que eu soubesse exatamente o momento de ir. Ao invés de uma doula (que não faz todas as avaliações que eu gostaria que fossem feitas), acabei conhecendo as enfermeiras obstétricas da Mádria: Jane, Carolina e Marcilene. Elas foram muito legais, ofereceram vários cursos, me consultaram em casa, emprestaram livro sobre parto, bola de pilates, DVD, me fornecendo muita informação importante sobre o trabalho de parto e o parto.
Resolvi também visitar o hospital indicado por Dra Fabíola para o parto natural, o Beneficência Portuguesa. Meu plano pela Unimed cobre apenas a enfermaria e, como a ideia inicial era ter o parto dentro do quarto, conversei com a administração do hospital sobre essa possibilidade e me confirmaram que, pagando uma diferença e, de acordo com a concordância da equipe médica, seria possível sim ter o parto dentro do quarto, levar as enfermeiras obstétricas, acompanhantes, bola de pilates, banqueta e até piscina. Fiquei bem tranquila! Tudo estava bem planejado e o nascimento de Miguel estava entregue às mãos de Deus.
Além do pilates, passei também fazer drenagem linfática, devido ao inchaço e, por fim, comecei também a fazer yoga para gestantes no espaço Quim quim.
Com quase 37 semanas, a Dra Fabíola fez o exame de toque e me informou que o colo estava aberto e que eu estava com uma dilatação de 1 cm, quadro que poderia se perdurar por alguns dias ou semanas. Era importante ficar atenta aos sinais: perda do tampão mucoso, movimentos fetais, sangramento ou a perda do líquido aminiótico, que indicaria que a bolsa poderia ter estourado. A essa altura, as consultas, incialmente mensais, estavam ocorrendo semanalmente. Comecei a notar, então, a perda do tampão mucoso, que ainda não significava que eu estava em franco trabalho de parto.
Na semana seguinte, mais um exame. Permanecia com 1 cm de dilatação. Dra Fabíola pediu que eu fizesse mais um exame de ultrassom. Segundo o exame, Miguel estava com cerca de 3kg.
Na quarta-feira, dia 03/05, quando eu estava com 38 semanas e 5 dias, retornei à Dra Fabíola, que fez os exames habituais (peso, pressão arterial e toque) e me confirmou que o colo ainda estava um pouco espesso e com 1 cm de dilatação. No entanto, ela informou que, devido ao toque, poderia haver algum sangramento. No mesmo dia, um pequeno sangramento se iniciou. No dia seguinte, as coisas começariam a se acelerar...

Profissionais da rede estadual e municipal de educação protestam pelo piso nacional de educação

Por Juliana Rocha Tavares Hoje, 28 de março, Prefeitura está promovendo na Praça São Salvador um evento de comemoração do aniversário da cid...