domingo, 21 de maio de 2017

Primeira semana

Devido ao grande sangramento que eu tive após o parto, adquiri uma anemia bem forte. Fiquei os dois primeiros dias do nascimento de Miguel internada e no soro. Mamãe e Lucas ficaram comigo no quarto. Miguel tentava mamar e lamber o colostrinho. Teoricamente, eu sabia como era a pega correta: no mamilo todo, os lábios invertidos. Mas não consegui reconhecer na hora se a pega estava muito boa. Por isso, talvez seja importante pedir ajuda de outra pessoa para verificar se o bebê pegou o biquinho ou não. Mesmo a pega não estando muito boa, estômago de Miguel era tão pequenininho, do tamanho de uma cereja, que qualquer colostrinho que ele conseguia lamber ou mamar o satisfazia... O hospital trazia o um copinho de nan a cada 3 horas, mas como Miguel estava mamando razoavelmente bem pro início, não houve necessidade de dar nan pra ele, conforme eu desejava. No terceiro dia, tive alta por volta da hora do almoço. Cheguei em casa e recebi muito apoio do marido, da sogra e da mãe. Miguel continuava mamando colostro com uma boa frequência. No entanto, por mais que eu estivesse tentando fazer uma dieta bem restrita, os gases estomacais estavam me atacando com força. Não consegui dormir bem nem no hospital, nem em casa por causa das frequentes mamadas e, sobretudo, por causa dos gases. No quarto dia, terça feira iríamos dar o nosso primeiro "passeio" para fazer o teste do pezinho. Minha bermuda de grávida, que havia ficado apertada no 7o mês de gestação, já cabia em mim novamente. Miguel começou a mamar logo antes do teste e permaneceu mamando durante a furadinha. O sangue saiu bem fácil, bastou um único furinho e Miguel nem chorou. Miguel continuava com uma pega meio irregular, pegando mais o biquinho do que a auréola. Eu continuava meio pateta em casa, tendo mãe, sogra, secretária e marido fazendo tudo por mim e por Miguel. Não sabia trocar fralda, não sabia trocar roupa, nenhum progresso. As pessoas querem te poupar porque você está debilitada. Mas, quando possível, peça pra que alguém te ensine alguma coisa, com calma, sem afobação, sem querer aprender tudo de vez, porque você também precisa se recuperar. Continuava não conseguindo dormir nem de dia e nem de noite (malditos gases) e fiz uma dieta rigorosa para não ter gases. Era um grande alívio receber visitas e me distrair um pouco, ao contrário do que algumas mães sentem, embora isso seja uma questão muito pessoal. No quinto dia, Miguel parecia muito faminto. Ele começou a pegar o peitinho de forma acelerada. Fiquei animada no princípio com aquela disposição. Mas as mamadas passaram a ter uma continuidade e frequência absurda. Ele saía de um peito pro outro, chupando muito rápido. Depois do dia inteiro de mamadas aceleradas, percebi que ele estava, na verdade, chupando o biquinho. Como saía pouco leite porque a pega estava errada, ele acabava querendo mamar cada vez mais. Por causa disso, o meu peito ficou bastante ferido. Amamentar passou a ser uma grande tortura. Os gases estomacais continuavam me perturbando muito. No sexto dia, o leite finalmente desceu! A concha passou a ser item fundamental porque enquanto Miguel mamava num peito, o outro vazava bastante leite. Miguel foi melhorando a pega, mas o peitinho já estava em carne viva e eu não estava suportando amamentar. Fui orientada a, após cada mamada, usar o leite que ficou na concha para molhar o peito, já que o leite teria efeito cicatrizante. Novamente, a concha foi fundamental pra guardar esse leite. Após cada mamada, higienizar a concha e, uma vez por dia, fervê-la. Minha noite foi terrível devido ao revezamento das mamadas dolorosas com os gases estomacais perturbadores. Estava exausta, mas não conseguia dormir. No sétimo dia, fomos à consulta com tia Nazareth. Miguel estava ótimo e pesava 2,8 Kg. Ele havia perdido 200g por causa da redução do inchaço. Falei também a respeito do peito machucado. Ela falou do leite, do mamão, do banho de sol e disse que, se estivesse insuportável, eu poderia tentar usar o bico de silicone.  Pedi pra Lucas comprá-lo imediatamente após a consulta para usar somente em caso de emergência. Chegando em casa, continuei tentando dormir sem sucesso. Além dos gases, comecei a sentir uma aceleração no coração e uma angústia enorme. Busquei ajuda médica e comecei a tomar um medicamento que, me acalmaria e não teria quase nenhum efeito sobre o bebê. O pediatra também autorizou o uso do medicamento. (Não digo o nome do medicamento aqui porque ninguém deve se auto medicar. Se precisar de ajuda, procure o médico). Comparam uma lata de enfamil e copinhos de isopor para o caso de eu não conseguir amamentar de madrugada. Mas consegui! Não precisei nem do bico de silicone. A dor já havia se tornado mais tolerável, porque a pega estava melhorando. Concluí que realmente é preferível tomar remédio (apenas com indicação médica!) do que ficar estressada e passar todo o stress no leite pro bebê. E depois de quase uma semana sem dormir praticamente nada, nessa noite eu consegui relaxar um pouco. No sétimo dia, o peito continuava doendo, mas devido à pega já correta, ao leite da concha, ao mamão e ao top less no quintal, a dor foi regredindo de forma significativa. Soube também do efeito cicatrizante do chá de carajuru, que seria providenciado. Neste dia, recebemos mais visitas, me distraí mais, descansei mais e terminei a primeira semana com um grande alívio e esperança de dias mais tranquilos. 

Dicas da semana: compre papel toalha para enxugar as mãos (suas e dos convidados) e álcool gel; compre um par de concha de silicone e outro par de concha dura para revezar se uma delas irritar sua pele (no meu caso, preferi a concha dura). Higienize a concha a cada mamada e ferva uma vez por dia; Se o beber pegar o biquinho ao invés da auréola (é difícil perceber, às vezes), tire ele do peito com dedo mindinho no cantinho da boca e deixe ele abrir bem a boca para pegar a auréola toda; use o leite da concha, a parte interna da casca de mamão, banho de sol ou chá de carajuru para tratar do bico machucado (lave com água filtrada antes de dar mamá); tenha lenço RN de stand by caso a garrafa térmica seja quebrada no 3º dia, como aconteceu com a gente; tenha bodies e macacões RN sem gola, de preferência; tenha bastante fralda  de pano embainhada (as vezes, elas vem sem bainha); tenha tenha vários sutiãs de amamentação porque molha as vezes e camisas que abrem inteiras (não me dei bem com as que abrem pela metade por enquanto). Caso esteja com blues pós parto, depressão ou pânico, procure ajuda médica responsável.

2 comentários:

  1. É Ju, no começo é tudo muito novo, parece ser desesperador, parece que não vamos dar conta, que não vamos ter forças ou que não vamos conseguir. Mas ai vem a força lá de cima, que nos acalma, nos tranquiliza e nos mostra que não é nada impossível, nenhum bicho de sete cabeças né. Eu passei muita coisa semelhante com meu afilhado. Porém era minha prima e minha tia nessa correria toda, eu tentava ajudar no que dava. Vi minha prima amamentar chorando com o bico sangrando, mas se esforçou até o final pra que meu afilhado ficasse bem alimentado. Hoje eu agradeço por ter passado isso com ela, por ter o seu blog com dicas, pois vou ganhar minha bb em outubro. E vocês tem me ajudado muito.

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  2. Que bom que você já acompanhou isso tudo de perto... Você vai tirar de letra então!!

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